quarta-feira, 15 de setembro de 2010




lesovideo filmes, Cia. Casulo de Teatro e Ateliê Casarão apresentam:
“MOVIMENTO.ESPAÇOS.ÚNICOS" - ciclo de filmes (curtas e longas), videos, leituras dramáticas e intervenção teatral na Parada LGBT de Jundiaí: discutindo e ampliando os horizontes da sexualidade.

PROGRAMAÇÃO – de 22 à 26 de Setembro

1. QUARTA FEIRA – dia 22 de Setembro – 19h - Sede do Sindicato dos Professores de Jundiaí – APEOESP (R. Padre Armando Guerrazi, n° 88/92 - Centro - Travessa da Rua Marechal)
Sessão gratuita mais leitura de textos (por Cia. Casulo), seguida de debate com integrantes da lesovideo filmes e público.

CURTA: “O PROTESTO”
2008 – 7’ – vídeo digital – cor – Grupo Identidade de Campinas
Em razão do assassinado da travesti Flavinha, o grupo Identidade e outros integrantes de movimentos sociais de Campinas juntam-se para protestar e proclamar pelas ruas do comércio popular da cidade: todos somos alvo da violência.

FILME:"PINK FLAMINGO", de Jonh Waters - 1972 - COR – EUA
O filme conta a trajetória da drag-queen Divine e sua família na competição contra o casal Connie e Raymond Marble pelo título de "pessoas mais sórdidas do mundo", insensatamente almejado. 18 anos.

2. QUINTA FEIRA – dia 23 de Setembro - 19h - Auditório do Museu da Energia de Jundiaí (Rua Barão de Jundiaí, 202 - Centro)
Leitura de textos (por Cia. Casulo), seguida de debate com integrantes da União da Juventude Socialista de Jundiaí, do Voto Consciente e da lesovideofilmes. Atividade oficial da "Primavera dos Museus", promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), o espaço realiza, de 20 a 25 de setembro, atividades culturais diversificadas, relacionando-se com o tema escolhido pela instituição: “Museu da Energia de Jundiaí: um espaço social para trocas, diálogos e interações”

CURTA: “SUZY BRASIL: A DEUSA DA PENHA CIRCULAR”, de Renata Than
15’ – vídeo – cor – 2007
Suzy Brasil, a drag queen que hipnotiza plateias com seus shows em boates no Rio de Janeiro. Marcelo, o pacato professor de biologia do ensino médio. Ambos moradores da Penha Circular, coincidência?

FILME: “MILK A VOZ DA IGUALDADE”, de Gus Van Sant (2008 – colorido – EUA)
Harvey Milk (Sean Penn) é o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. Em sua trágica carreira, Milk lutou pelos direitos não só dos gays, mas também dos trabalhadores e idosos. Filme ganhador Oscar de melhor ator. 16 anos.

3. SEXTA FEIRA - dia 24 de Setembro - 19:30h – R$ 8.00 - ATELIÊ CASARÃO
Sessão de curtas, vídeoartes e leituras dramáticas, seguida de debate com representantes dos grupos IDENTIDADE (Grupo de Luta pela Diversidade Sexual) e MO.LE.CA. (Movimento Lésbico de Campinas), ambos de Campinas, integrantes da União da Juventude Socialista de Jundiaí e da lesovideofilmes.

SALA DOIS e arredores – 19:30h - série de vídeoral “ANTROPOVEZ”
(lesovideo, dvd interativo, 2010) na sala de espelhos e outras salas.
O espectador escolhe, dentro de um menu com ícones idênticos, depoimentos sensuais de desconhecidos, além de outras histórias espalhadas pelo espaço d’O Casarão.

TEXTO UM – “MOSCAS VOLANTES 8”, da roteirista e cineasta biAh werTHer (Brasil, 2008), por Cia. Casulo.

“SUCO DE TOMATE”, de bIAH werTHer
18’ – 35mm – 2001 – Porto Alegre
Snuff movie fake.

HÁ FETOS”, de Renata Than
(Brasil, 2007)
Tudo o que corre nas veias, junto com todas as imagens da mente, os afetos e os feitos no mundo. Os corpos se movem, gozam ou choram, as experiências criam novos corpos. Como se explica um feto?

TEXTO DOIS – trecho de “MEZZAMARO, FLORES E CASSIS: O PECADO DE CASSANDRA”, autobiografia e último livro de Cassandra Rios (Brasil, 2000), por Cia. Casulo.

“SAPPHADAS”, direção e roteiro coletivos.
2008 – 30’ – vídeo – cor – Campinas
"Sapphadas” é resultado do curso “Introdução ao vídeo-documentário como instrumento de comunicação popular” oferecido pelo MO.LE.CA (Movimento Lésbico de Campinas) em parceria com a CAMARÁ. “Sapphadas” retrata a vida de dois casais de lésbicas: como se descobriram lésbicas, como se conheceram, as dificuldades do relacionamento e os desafios na luta pela afirmação de sua orientação sexual.

TEXTO TRÊS: conto “MEIO SILÊNCIO”, do primeiro livro de Caio Fernando Abreu “INVENTÁRIO DO IR-REMEDIÁVEL”(Brasil, 1970), por Cia. Casulo.

“SACÔ?”, de Rodrigo Tangerino
2002 – 6, - vhs – cor - Jundiaí
Vídeo experimental onde confrontamos uma peça de áudio e uma de vídeo, sem que sua forma final fosse prevista.

“TEMPO DE FORMA”, de Mirna Nóbrega
2007 – vídeo – cor – 15’ – Rio e Janeiro
O movimento, o corpo, o espaço. Movimento que extrapola o espaço, com sua delicada relação, tão imperceptível aos olhos modernos, nos convidando a realizar um exercício do olhar sobre a dança na vida do bailarino Allyson Mendes.

TEXTO QUATRO – prólogo de “DIÁRIO DE UM LADRÃO”, de Jean Genet (França, 1949), por Cia. Casulo.

“SUZY BRASIL: A DEUSA DA PENHA CIRCULAR”, de Renata Than
15’ – vídeo – cor – 2007
Suzy Brasil, a drag queen que hipnotiza plateias com seus shows em boates no Rio de Janeiro. Marcelo, o pacato professor de biologia do ensino médio. Ambos moradores da Penha Circular, coincidência?

“JANAJANA”
2008 – 12’ – vídeo digital – cor - Campinas
Documentário em vídeo que dá voz à uma das poucas travestis no Brasil que se formou em uma universidade. Em duas entrevistas, Janaína Lima relata acontecimentos do seu percurso escolar.

“O PROTESTO”
2008 – 7’ – vídeo digital – cor - Campinas
Em razão do assassinado da travesti Flavinha, o grupo Identidade e outros integrantes de movimentos sociais de Campinas juntam-se para protestar e proclamar pelas ruas do comércio popular da cidade: todos somos alvo da violência.

4. SÁBADO – dia 25 de setembro – 17h - Sarau da União da Juventude Socialista – exibição de três curtas do acervo da lesovideofilmes - programação completa em: http://ujsjundiaioficial.blogspot.com/

5. DOMINGO – dia 26 de Setembro – 14h - Parada LGBT de Jundiaí
Intervenção teatral com Dona Dolores na Parada LGBT de Jundiaí (por Joelma Marcolino e lesovideofilmes)

links e parceiros:
http://www.identidade.org.br/
http://8enuds.blogspot.com/
http://camaracom.com.br/
http://www.ateliecasarao.blogspot.com/
http://www.ciacasulocontadoresdehistorias.blogspot.com/

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"VISÕES DO TERROR" agrada público pelo conjunto e variedade (por tanger)




video
Marco zero das atividades culturais da Leso Vídeo neste segundo semestre, que retoma em grande estilo o que a produtora vinha realizando em termos de exibição e promoção de eventos plurais, “Visões do Terror” trouxe uma nova proposta ao ambiente de arte de Jundiaí. Na verdade, o próprio título do evento não é tão claro quanto parece. Partindo do óbvio, esperaríamos uma coleção de obras pautadas pelo tema, não pelo significado do termo do título. A rede artística e energética dos realizadores participantes supera qualquer generalização.

O teatro moderno, formado por cada vez mais grupos que delineiam seu próprio caminho, passou, mais contemporaneamente, a utilizar recursos audiovisuais em suas composições de cena, até a radicalidade de o próprio aparelho de tevê se tornar peça chave numa trama, por exemplo. No restante das outras chamadas grandes artes, ocorreu o mesmo: a nova palheta de cores proposta pela cor-luz do monitor magnético, dividindo com a cor-pigmento as ondas da nova arte, carregadas de sensorialidade e texturas, permite a geração de outros olhares, sem o purismo que a arte acadêmica tanto valoriza e se identifica.

A mistura de mídias e gêneros nas artes não é, porém, uma novidade. A novidade está em “exercitar” tal proposta e levar adiante as preocupações estéticas e de renovação da linguagem, especialmente as que resultaram, no Brasil, no emaranhado de mini-obras primas que são os anos setenta: “a qualidade está na quantidade”, parafraseando Glauber Rocha, quando orientava a montagem de "Di",  documentário de 1977, ainda proibido no país pela família de Di Cavalcante, realizado no velório e enterro do amigo pintor. Tal conceito traduz, no todo, a valorização da diversidade de produtos culturais característicos da pós modernidade, cheios de viézes individuais, dificultando o cunho de um rótulo para seus produtos, mesclas de alta e baixa cultura, cheque entre o "bem feito" e o "mal feito". Nós nos identificamos com essa proposta e seus ecos que, até hoje, norteiam as mais bem sucedidas e instigantes manifestações.

Neste sentido, ficamos à frente da maioria das atividades culturais da cidade, que sequer correspondem a esse legado de "vanguarda" e que, portanto, não contribuirão para a perpetuação da arte livre de amarras e seu nascimento libertário nas mais diversas mentes pensantes. Há quem prefira cumprir uma SEITA, endossar a relação entre um certo PADRÃO de qualidade duvidoso que se relaciona diretamente com sua COMERCIALIZAÇÃO, com seus caminhos vorazes de MARKETING e seu resultado controlado e castrador. Tudo isso cria uma cultura estanque, pensando que esse sistema é formado por situações de privilégio de toda ordem, o que impede o homem de exercer a sua vocação - do latim vocare -, ou seu "chamado", misto de independência e satisfação plena na execução deste quase sétimo sentido.

Partindo de transas antigas, de namoros e admirações pelo trabalho uns dos outros, o contato inicial de 2002 entre a Brócolis VHS e a Leso Vídeo durante o Fórum do Filme Livre, no 13º Festival Internacional de Curtas de São Paulo, se reforça num encontro em 2009 com o teatro e a dinâmica dos atores, via Cia. Casulo. O "documento" em questão é o registro da contação de histórias de suspense reflexivo “NO ESCURO”, hoje apresentado numa nova configuração, não só por conta da cênica de atores novos no grupo, mas também pela constante pesquisa e diálogo entre seus integrantes e os outros artistas da mesma cena. Foi da Cia. Casulo a sugestão do título da mostra e do roteiro da cena-filme que abriu e sessão – com maquiagem e figurinos caprichados. “Filmar uma peça” e “repetir para a câmera”: faces da mesma nota.

Numa esfera temporalmente mais próxima da produtora jundiaiense, a figura do performer Toninho do Diabo, top of mind do pavor e da espontaneidade, surge no carnaval de 2008, pouco tempo antes do desfile, que incluía a escola de samba que o artista preside na cidade. A Leso Vídeo realizava na ocasião parte de um documentário, ainda em formatação, sobre a movimentação da cultura e arte negras na cidade. Descaracterizado, até um pouco formal demais, falou das perspectivas da escola e da sua relação com o carnaval. Figura sempre presente na grade de programas diversos de tevê, já com seu personagem bem solidificado, Toninho se lança na produção de filmes gore – caracterizados pelo exagero na sangueira e mutilação -, se tornando mais conhecido e respeitado, além de premiado e exibido em outros países. Outros produtos levam também sua marca de criatividade: quadrinhos e videoclips. Seu filme “Caçador de Almas II” aproximou suas idéias de um público diferente, que recebeu bem o curta, se analisarmos as inúmeras reações e a atenção redobrada para a maneira de como o diretor e sua equipe resolveram esteticamente os problemas que a ficção propõe. Ponto para o público que, imerso em tal universo, reconheceu a importância inegável do multiartista. Seu produtor e editor Daniel Vardi foi figura importante neste diálogo com a obra de Toninho do Diabo e sua viabilização.

Mais perto ainda do agora, surge a figura de Sebastião Luíz Santos, coberta de tatoos de sua autoria, quase que formando uma segunda pele em alguns pontos, com sua marca de explosão versus implosão. O primeiro impacto de “Visões do Terror” vem com sua sequência de desenhos, que "abre" o espaço do Ateliê Casarão. Desde então, o público se viu fascinado pelos pequenos detalhes e encaixes inteligentes de seus labirintos a esferográfica. Ao observarem os desenhos, se aproximando bem deles, detalhes minúsculos cresciam diante dos olhos e se reintegravam ao grupo com um passo para trás, revelando, como na primeira vista, o croqui completo. Primeira exposição do artista, sua relação com o tema é múltipla e trás uma compreensão mais direta sobre a escola iniciada com Bosch: terror no caos das linhas.

A exibição de materiais no aparelho de tevê já foi bem mais comum e até superlotavam curadorias em espaços respeitados. Aqui, nossa referência está lá mesmo, nos anos sessenta, quando Nan June Paik, invertendo com o Fluxus a lógica de Duchamp, cria um novo suporte, pilar para qualquer tipo de arte tecnológica e genitora de teorias sobre mídia, cultura de massas e indústria cultural: a videoarte. As peças dispostas nas tevês não foram escolhidas no sentido de estabelecer uma narrativa ou interrelação. A partir do momento em que elas entram no ar simultaneamente, é inevitável que a coisa mude: um registro de uma casa em decomposição ("open doc", de 2005), um show da banda Textículos de Mary, cujo estilo, segundo um de seus integrantes, transita entre o drag metal e o death queen ("imagens lixo", de 2003) e uma cerimônia de casamento feita em VHS puro, reeditada no videocassete ("videocasamento", de 2010), se redimensionam. Os vídeos, em momentos rápidos e especiais, se conectavam e se perdiam no instante seguinte; o processo se recompõe na medida em que, num outro momento, o espectador se confronta novamente com os monitores. Nenhuma das tevês teria força sozinha; de outro lado, nenhum dos vídeos funcionaria noutro suporte com a mesma intensidade.

A internet, veículo por excelência da multiplicação de produtos textoaudiovisuais é, cada vez mais, uma fonte de materiais com timing exclusivo de sua máquina genitora. Utilizada em grande escala para a divulgação de filmes e programas realizados para a veiculação em cinemas e canais de tevê, seu universo é, hoje, muito maior que a mera autopromoção de mídias mais "qualificadas": a realização de filmes pensados para internet sugere aos seus realizadores uma postura diferente perante a forma do produto final. Minutos antes da sessão, surge o realizador Miro 4P, de Francisco Morato, com uma compilação de três trabalhos realizados para a internet. A exibição coletiva de trabalhos que o público geralmente consome no aconchego de seus quartos aumenta o alcance da proposta do evento, colocando face a face produções de diferentes suportes. Tais trabalhos, marcados pela ironia e pela sacada marcante dos "virais" mais famosos, encontraram, no programa, um espaço de destaque e foram recebidos sem delay pelos espectadores.

O evento atraiu um público de qualidade, teve um feed back que durou até os últimos instantes da mostra, até encerrar-se com cenas das atividades, exibidas na saída do espetáculo quase que em tempo real. Indispensável o papel do Ateliê Casarão, na figura atenciosa de seu mentor Cláudio de Albuquerque, que, observando atentamente a montagem final para a apresentação, viu seu espaço acampando uma proposta ainda inicial, mas ponto de partida para outras realizações.

Comentem o texto, divulguem as informações e aguardem novidades pro mês que vem. Quer participar disso tudo?


acompanhem a lesovídeo

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