sexta-feira, 22 de julho de 2011

O lado "F(r)ic(reak)ção" da LesoVideo: puta gênero!

para BiAh WerTher

A LesoVídeoFilmes é essencialmente documentarista, sabe pouco dos labirintos da ficção. Antes de opção, a intuidade (re)quer re(construir) a realidade, mais do que registrá-la. Preocupação constante: a valorização da história oral/local, a partir de um "meio-ambiente" radical - sinta Marx num texto famoso: "ser radical é tomar as coisas pela raiz"-, sua interpretação sob a ótica do sujeito - desenvolvendo, portanto, estratégias práticas na construção audiovisual - e a natural conexão cultural, teia entre os indivíduos - ou, pra melhor, "o coletivo", ambas específicas em cada espaço.

O flerte com o gênero foi experimentado - e sempre será verbivisível, sim! -, mas o caráter documental sempre nos supera ao "argumento", chave inicial do roteiro e de sua problematização. "Cataclisma", por exemplo, nasceu de um conto de Clarice Lispector - "Um Dia a Menos", do livro "A Bela e a Fera". Denso nas ideias e hermético na língua e na linguagem que propõe, sua transmutação para a esfera videográfica manteve, na estética, as características do texto e da autora: a repetição, o tempo interno da personagem e seu desfecho semi-trágico.

Fotoframes de "Cataclisma" (ensaio fotográfico de Bruno Martins - mais em: http://www.flickr.com/photos/celul_a_zul)  
Noutro momento, o filme de escola "O Beijo", de 2007 - que figura ao lado do documentário "Transitório" como resultado do curso de Direção Cinematográfica da Escola de Cinema Darcy Ribeiro -, nos proporcionou outra experiência: produzir e dirgir um roteiro escrito por outro aluno, que de início não agradou à equipe de realização, mas que nos deu a liberdade de subverter as regras do roteiro - aquelas que julga indispensáveis Syd Field e sua bíblia "Roteiro: Os Fundamentos do Roteirismo". Porém, foi nele que desenvolvemos os conceitos de direção de atores, continuidade, escolha de locações, etc. Os próprios diretores acabaram atuando, a equipe se misturou em todas as funções, o que implica num resultado coletivo, sem a hierarquia "tradicional" que se aplica numa produção cinematográfica.

Fotoframes de "O Beijo"


Trailler de "O Beijo"

Agora, com estrutura e know-how bem maiores, a produtora se abre e, em parceria com jovens roteiristas e atores de Jundiaí, passa a realizar o que chamamos de "exercício prático de filmagem", no qual propomos viabilizar técnicamente curtas de baixo orçamento e, ao mesmo tempo, motivar e interagir com artistas de mesma envergadura e ideologia - uma necessidade para a produtora.

"A Negociação" é o primeiro produto dessa linhagem, além de uma oportunidade para movimentar sobremaneira essa fatia tão nova por aqui.

Nos primeiros meses de 2011, um grupo de amigos se reuniu para gravar um curta. O roteiro veio do então desconhecido Jefferson Rocha, que já tinha participado de oficinas audiovisuais, como a Tela Brasil. Outra presença marcante na cena é a fotógrafa Selena Saile, parceira do roteirista em outros trabalhos e responsável pelo registro do processo do filme. Ambos, muito entusiasmados e confiantes no projeto, cuidaram da pré-produção e foram assistentes fundamentais na rodagem do filme: um encontro certeiro.

Quem nos aproxima é Rafael Ambrosin, já parceiro da Leso, trazendo também seus companheiros de Mixórdia: Tristão e Marluci, ícones do improviso nos palcos da cidade. Os dois últimos acabaram ocupando dois dos personagens principais da crônica. Outros atores se integraram também: Paula Miurim, da Cia. Na Ponta da Língua - responsável pela maquiagem -, Sebastião Luíz Santos - assistente de som e de produção - e Maurício Duarte, que, apesar da experiência como ator, volta à representação, desta vez num filme, vestindo um papel que parece ter sido escrito para ele.

 
 
 
 
 
De cima para baixo: preparação dos atores, primeira sequência, Marluci "a secretária", roteirista Jefferson no time- code, últimos ajustes para a última sequência, equipe.


Parabéns para toda a equipe!

Em breve o trailler de "A Negociação", aqui mesmo!
Grande abraço,
Equipe LesoVídeoFilmes





terça-feira, 12 de julho de 2011

Palavras de Rodolfo Ajino em entrevista para a Leso e explanação do que a gente vai expor

Rodolfo Ajino tem 20 anos, é músico, estuda design, vive e participa da vida cultural da cidade. Não é difícil encontrá-lo nos eventos mais instigantes, daí o seu interesse em coordenar o seu próprio, numa mostra de artes plural e diversificada. A inspiração do homem por trás do 1º Jundiaí Arte e Cultura vêm dos movimentos alternativos, dos quais é espectador e entusiasta, inclusive nos nossos encontros "VISÕES DO TERROR" e "MOVIMENTO.ESPAÇOS.ÚNICOS", ambos de 2010, realizados no Alteliê Casarão. Muito inclusive dessas atuações artísticas, que acontecem num outro “mercado” de arte - por "trás das cortinas", pode-se dizer -, se dá pelo espírito do Ateliê, berço do agitador Ajino, que viu no espaço um ambiente natural para a organização do evento. Neste trânsito, diz ouvir reclamações principalmente nos espaços "oficiais" de Jundiaí: "As pessoas sempre dizem não ter (mais) opções de eventos culturais aos finais de semana. Talvez seja porque não saibam procurar..." E completa: "O Rua Livre é uma referência para mim, e não tem como fazer um evento audiovisual sem contar com a presença da Leso, né?."

Ficamos muito felizes em ter nosso trabalho estimulado e reconhecido por um jovem. Valeu Ajino!


Os Artistas:


MÚSICA: LUPUS - é a banda do Ajino. "é uma ótima oportunidade pra gente divulgar nosso trabalho, pelo alcance e prestígio que o encontro já tem". Com a banda de reggae KING OF KINGS, do Jd. Santa Gertrudes, o contato foi especial: "fiz o convite pros caras e eles estavam num ensaio. Eles comemoram igual criança...", dia Ajino. O projeto TAMBORES DE INKICE, de Kleber Moura, professor de percussão do Ateliê, reunirá seus alunos para uma apresentação inédita. Também tem o punk característico da banda Fetus Humanóides, fechando a mistura entre estilos e público.


TEATRO: O Grupo MIXÓRDIA mostra seus jogos teatrais e Cláudio Albuquerque, do Alteliê Casarão, vem com seu clássico "Pernambuco em Quatro Atos", acompanhado pela turma do Projeto TAMBORES DE INKICE.


AUDIOVISUAL: O Cineclube Consciência exibe filmes do seu acervo e mais filmes inéditos na cidade numa sessão especialmente programada para o evento. A LESO VIDEO faz uma miniretrospectiva de seus videos experimentais, que serão exibidos em televisões, e ainda expõe seus materiais graficos, sauda sua mais nova integrante Regina Tochio - que expõe suas fotografias da época em que cursava Rádio e TV na UNESP e projeta fotos digitais para acompanhar as bandas -, e abre espaço prum outro jovem artista, o produtor de tv e músico Emannoel Zaninetti, que exibe um de seus painéis. (mais detalhes dos trabalhos no photo.bi.texto abaixo).

detalhe do painel


Então:
O QUÊ? 1º Jundiaí Arte e Cultura - Mostra Coletiva de Artes
QUANDO? dia 16 de julho, sábado - das 17 às 20h
ONDE? Ateliê Casarão - Rua Dr. Almeida, 265 - Centro - Jundiaí/SP
QUANTO? R$ 10,00


Ajino e nós da LesoVídeoFilmes, em entrevista no Praça Viva 2011

Percurso das Obras da LesoVídeoFilmes

A LesoVídeoFilmes vai participar do 1o Jundiaí Arte e Cultura com vídeos, fotografias, cartazes e um painel, numa pequena retrospectiva. Nascida em 2002 - ano em que surge o VHS SACÔ? e as primeiras mekagravações -, entre mostras, documentários, programas e webséries, os vídeos experimenrais são uma marca registrada da produtora, determinante na pesquisa e proposição de caminhos tanto criativos quanto de mídia. Fazendo um percurso pelos vídeoexercícios e demais séries desenvolvidas nestes quase dez anos de existência, a produtora ainda exibe materiais gráficos de mostras, filmes e cineclubes.
VÍDEO UM - SACÔ? (6' - 2002 - VHS - experimental) - um evento sonoro e outro visual se completam perfeitamente, sem que tenham sido feitos um para o outo. O filme é o marco zero da LesoVídeoFilmes.

Exibições:
Museu de Arte Moderna de São Paulo - Forum do Filme Livre (no Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo) - São Paulo/SP - 2002
Prêmio Pesquisa de Linguagem - Flõ 2003 - Primeiro Festival do Livre Olhar - Porto Alegre/2003
Filme Convidado - 16° Mostra do Audiovisual Paulista - São Paulo/SP - 2003
Mostra "O Quê O Neguinho Tá Fazendo" - Niterói/RJ - 2003
Mostra "Um Salto Experimental" - Campinas/SP - 2003
Mostra dos Livres Na Puc-Campinas - Campinas/SP - 2003
4° FEIA - Festival do Instituto de Artes da UNICAMP - Campinas/SP - 2003
Mostra de Cinema de Tiradentes - Tiradentes/MG - 2007
Mostra "Bons Olhares Internos" - Escola de Cinema Darcy Ribeiro - Rio de Janeiro/RJ - 2007
1° Rua Livre - Mostra Coletiva de Artes - Grupo Zama/Cineclube Consciência - Jundiaí/SP - 2010
Mostra Coletiva "Movimento Espaços Únicos" - Ateliê Casarão - Jundiaí/SP - 2010


Fotoframes de "SACÔ?"

VÍDEO DOIS - "CATACLISMA" (15' - 2010 - SUPERVHS - experimental) - vídeo espelhado numa mulher de Clarice Lispector, tentando flagrar visualmente as repetições e contradições da personagem. Trilha Sonora de André Arieta, do Colectivo Cine8 de Porto Alegre. As fotos abaixo são da série "FOTOFRAMES IN PRO(JECTION)GRESS" do Fotógrafo Bruno Teixeira Martins (mais da série em http://www.flickr.com/photos/celul_a_zul e outras fotos em http://www.flickr.com/photos/mrmartins)


Exibições:
Estreia no "Sarau Viva" - Espaço Viva - Jundiaí/SP - 2010
2° Rua Livre - Mostra Coletiva de Artes - Grupo Zama/Cineclube Consciência - Jundiaí/SP - 2010 
Fotoframes de "CATACLISMA"

VÍDEO TRÊS - "COLA" (15' - 2011 - SUPERVHS - experimental) - ESTREIA! - colagem visual que recorta eventos de seus espaços originais e os relaciona visualmente, criando links subjetivos, de acordo com o olhar dos espectadores. Trilha Sonora de Lincoln Otoni.


Fotoframes de "COLA"
VÍDEO QUATRO - NOVELA SILÁBICA "TRANSITÓRIO ENTRE O VELHO E O NOVO" (websérie/DVD - 2011 - dv). Apesar de ter sido construída para funcionar como uma websérie aleatória (veja completa em www.youtube.com/rodrigotangerino), a série Novela Silábica é um projeto no qual são propostos vários capítulos heterogêneos - material bruto do curta Transitório e seus planos, embutidos neles. Mantendo seu formato, todo o material são planos independentes e podem ser compreendidos tanto como capítulos da série ou microfilmes. O documentário experimental TRANSITÓRIO, trabalho coletivo realizado em 2007 na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, foi premiado e exibido em diversas mostras e festivais aqui e no exterior. Em sua primeira exibição, porém, foi bastante criticado pelos professores da velha guarda. É verdade que TRANSITÓRIO recebeu elogios dos alunos e professores mais jovens, daí o título desta websérie aleatória. O filme propriamente dito está embutido nos planos originais, num continuum estético, não só para reafirmar a força da (re)fotografia, idealizada pelo montador Luiz Cláudio Dias - talvez a maior contribuição do curta -, mas também para flagrar o caráter observacional e temporal da experiência que o filme é. Segue um pequeno percurso, pra entender a brincadeira.


Alguns capítulos de "TRANSITÓRIO ENTRE O VELHO E O NOVO"
VÍDEO CINCO - "ADELSON", vide-o-ral da série "ANTROPOVEZ" (30' - 2010 - dv) - A série Antropovez é composta de entrevistas em áudio com personagens cariocas que, de uma forma ou de outra, acabaram se "envolvendo" com os realizadores da produtora. A primeira exibição da série completa aconteceu no evento "Movimento.Espaços.Únicos", em 2010, parceria entre a LesoVídeoFilmes, a cia. Casulo de Teatro e o Ateliê Casarão.

Fotos dos VÍDE-O-RAIS
VÍDEO SEIS - Trabalhos de Marco Nunes (Teasers, traillers e making of's - 2007/09) - Marco Nunes conheceu e se infiltrou na esfera videográfica através da LesoVídeoFilmes, ainda em sua fase do Grupo Intervalo Carioca, do qual fez parte como assistente, câmera e editor. Demorou pouco tempo para que o videomaker começasse a produzir seus próprios trabalhos, com suas próprias ideias. Hoje, além de seu trabalho como cinegrafista de tv, abraça e completa todos os outros projetos da LesoVídeoFilmes. 

Fotoframes de alguns vídeos de Marco Nunes






segunda-feira, 4 de julho de 2011

Primeira Exibição do mês de Julho do Documentário "O PARQUE ENCANTADO" no CINETEATRO de Campo Limpo Paulista.

Amigos!!!

No mês de junho o filme "O Parque Encantado", além de suas exibições como material paradidático para os alunos da E.E. Georgina Helena Fortarel, no bairro Parque Internacional, foi mostrado em cinco espaços diferentes, em Jundiaí e Campo Limpo, contabilizando um público de aproximadamente 500 pessoas: nada mal para um documentário independente, distribuído pelos próprios realizadores, cuja história resgata não só a importância da escola, mas a de todos os moradores. Esse processo não serviu só para "mostrar" o produto final, mas agregou outros espaços culturais e profissionais da educação, "encantados" pelo formato do projeto.

A primeira exibição do mês de Julho acontece num espaço simbólico, onde começaram as gravações de "O Parque Encantado": o CINETEATRO de Campo Limpo Paulista, que na ocasião recebia o FEDEST - Festival de Dança Estudantil, tendo como vencedor o grupo da escola Georgina. Tal vitória - um tricampeonato, que se seguiu para um tetra neste ano - motivou a confecção do documentário, envolvendo toda coordenação da escola e seus profissionais através de atividades integradas às disciplinas.

Desde já, a LESOVÍDEO FILMES agradece a todos que se empenharam nessa reconstrução audiovisual, da direção pedagógica aos exibidores, e se põe aberta para exibir o filme em outros espaços, lembrando que o nosso circuito é também determinado por quem se interessa por grandes histórias e vê a educação como uma forma libertária de expressão, na contramão de quem a aplica de forma dominatória e prisioneira.

A sessão acontecerá no dia 05 de julho, terça-feira, às 19 horas. O CINETEATRO fica no centro de Campo Limpo Paulista, ao lado da estação de trem e com acesso fácil para quem prefere ônibus ou carro. E o melhor: é GRATÍS!

Fica então o convite para mais esse encontro. Esperamos todos!

Grande abraço,
Rodrigo Tangerino
(11) 71758161
Blog do filme:

acompanhem a lesovídeo

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