terça-feira, 29 de março de 2011

LESOVÍDEO Filmes e seu percurso educativo: o lançamento do documentário “O Parque Encantado” (por tanger)



No começo, o trabalho da Leso Vídeo Filmes se restringia à experimentação da linguagem, fruto do diálogo com nossas então referências de artistas inquietos e independentes. Muitas foram as vezes que sentávamos não numa "ilha de edição", mas em frente ao monitor de tevê, que se conectava à nossa (primeira) camerazinha supervhs e esta ao videocassete, de onde o filme saía pronto, naquela fitona preta. Os ecos desta fase nos acompanham até hoje e, de certa maneira, nos diferenciam no "mercado" que a produtora enfrenta agora. Foi a fase da descoberta do poder da imagem em movimento, da experiência estética como viés político, da importância do registro e sua reflexão aos olhos da atualidade.

Essa posição se intensifica no encontro com o Grupo CIM - Campinas Imagem em Movimento, formado essencialmente por estudantes e cinéfilos e através do qual foi possível estudar a fundo a vanguarda soviética, o cinema novo e o marginal brasileiros, além da produção de textos, mostras e vídeos. O resultado desse encontro é o documentário experimental “Campinas: Um Recorte” (2003), que aborda a problemática da água nas mais diversas esferas. O CIM já havia produzido um outro vídeo, mais radical até, em 2002, uma ficção chamada “Manequim”. Tais orientações foram dando lugar a novos conteúdos pros projetos da LESO VÍDEO, que se inclina, em 2005, para uma proposta ligada à etnografia e à história oral, sob a ótica relacional de seus temas. É a fase do Grupo Intervalo Carioca, fundado na TV Comunitária da Rocinha e que desenvolve, num projeto essencial para todos os que estavam envolvidos no grupo, um documentário observacional na "maior sessão de descarrego do mundo", evento da Igreja Universal que aglutinou mais de três milhões de pessoas na praia de Botafogo, em 2007.

O primeiro projeto conscientemente "educativo" da produtora é a Novela Silábica "Transitório Entre o Velho e o Novo", uma websérie experimental que flagra a primeira exibição de “Transitório”, premiado internacionalmente, resposta à cadeira de documentário da Escola de Cinema Darcy Ribeiro. O episódio mostrou que, apesar de ideologicamente progressista, a escola tem entre seu corpo docente (des)educadores, especialmente aqueles da velha guarda, o que torna mais inexplicável o conflito. Com o debate filmado e entrevistas realizadas com alguns estudantes sobre as impressões do filme e da sessão, os capítulos da série misturam o material bruto do projeto – no qual está escondido os planos que originaram o filme – e as entrevistas dos “velhos” e dos “novos”, formando um jogo aleatório e bastante explicativo desse processo.

Numa outra esfera, o próprio corpo do Cine Clube 28 de Setembro, realizado na sede do clube negro jundiaiense entre agosto e novembro de 2009, também refletia, experimentalmente, um projeto educativo, já que o confronto dos filmes e suas temáticas, seguidas sempre de debates com realizadores e público, compunham um pensamento aglutinador e dialético ao mesmo tempo. O GIROCINE, tentáculo itinerante do Cine Clube, levou seu acervo à escolas, centros comunitários e bairros de Jundiaí e Campo Limpo Paulista, ocasião na qual se deu a primeira parceria entre a LESOVÍDEO FILMES e a E. E. Professora Georgina Helena Fortarel.

Em 2010, o projeto de documentário “O Parque Encantado” nasce de uma ideia original do historiador e professor Wagner P. dos Santos e a diretoria da escola, localizada no bairro Parque Internacional, periferia de Campo Limpo Paulista. Os alunos do ensino médio da escola foram tricampeões do FEDEST – Festival de Dança Estudantil da cidade e foi aí que os registros começaram, já prometendo um filme completo, embora ainda sem a ideia geral, que resgataria a história do bairro e realizaria visitas às minas de água existentes nele, num trabalho que envolvia meio ambiente, história e arte locais, reposicionando com talento características da Escola Nova, até porquê, por experiência, nós mesmos sentíamos que era necessário mais que a educação formal e suas paredes físicas para liberar educandos e educadores. Muitos personagens contribuíram com seus arquivos pessoais e suas declarações e tempo, gente importante das diversas áreas envolvidas se mobilizaram também para compor o tecido do documentário, que já é referência para a escola, para o bairro e para o setor educacional em geral. O principal objetivo do filme é mostrar e valorizar os sistemas locais de comunicação e produção de cultura, sempre sob a perspectiva do sujeito.

A LESOVÍDEO assume a produção e realização do projeto, que foi patrocinado pela Diretoria Regional de Ensino de Jundiaí, através de um prêmio para projetos descentralizados na área de educação, a ser aplicado em consonância com as disciplinas e seus conteúdos. “O Parque Encantado” é pioneiro entre os projetos realizados, já que o edital não tinha acampado ainda a esfera audiovisual. Realizado com baixíssimo orçamento (cerca de R$ 4.000,000), é resultado de um trabalho de pesquisa e roteiro exemplar e só foi possível pela riqueza do ser humano que é, na maioria das vezes, tragada por nossa relapsidade e dissimulação.


Então:


O quê? Estreia do documentário “O Parque Encantado”

GÊNERO: Documentário - DURAÇÃO: 65 min.

DIREÇÃO E ROTEIRO: Wagner Pereira dos Santos
MONTAGEM E EDIÇÃO: Rodrigo Tangerino
TRILHA SONORA: QG IMPERIAL
PRODUÇÃO: LESO VÍDEO FILMES
Quando? Dia: 09 de abril, sábado, 19h.

Onde? E.E. Professora Georgina Helena Fortarel
Rua Flor de Maio n°30, Parque Internacional

Apoio: Supervisoras Rosa, Lia, Odete, Oficina Pedagógica, Diretoria de Ensino de Jundiaí, CENP e Produtora Total Up.


Mais informações e confirmação de presença com Wagner P. dos Santos (11) 7428.1328, Rodrigo (11) 7175.8161 ou Carem (11) 4039.3595














domingo, 20 de março de 2011

Cineclube Cinergia exibe o longa “The Corporation” mais filme de oficina em sua segunda sessão.


Todas as fichas que foram apostadas no Cineclube Cinergia, uma parceria entre a LesoVídeo Filmes e o Museu de Energia de Jundiaí deram certo: imprensa, conteúdo e público.

A exibição de “Surplus” teve sua mensagem polinizada através de quem esteve lá; a linguagem do filme, na qual predominam os rewrites de imagens e sons por vezes paradoxos, incitaram muitas discussões. A reflexão do consumo não só se faz necessária na esfera da produção de lixo, mas também à própria qualidade de vida do ser humano, que se vê mais do que nunca vulnerável à sua própria (des)inteligência.

Neste próximo sábado, dia 26/03, às 15:00, o Museu de Energia de Jundiaí abre suas portas para mais uma sessão, apesar de toda a reforma que enfrenta, motivo pelo qual têm suas exposições temporariamente fora de visitação. O Cineclube Cinergia sai ileso desse processo, e exibe o longa “The Corporation”, documentário canadense de 2003, dirigido e produzido por Mark Achbar e Jennifer Abbott, que descreve o surgimento das grandes corporações, sua subida à condição de “pessoas jurídicas” e discute, do ponto de vista psicológico: que tipo de pessoas elas seriam?

Um curta metragem abre a sessão, desta vez o experimental em super8 “Zoeira Engarrafada”, resultado de uma oficina realizada pelo Coletivo Cine8, no Rio de Janeiro, em 2002. Ao final da sessão, quem conduz o debate é Arnaldo de Oliveira, sociólogo e jornalista do Jornal Bom Dia de Jundiaí.

Então:

• O QUÊ? Exibição do filme “The Corporation” (Canadá - 2003 -130 min. - Dir. Mark Achbar)

Sinopse: A partir da polêmica decisão da Suprema Corte de Justiça americana concluindo que uma corporação, aos olhos da lei, é uma "pessoa", são analisados os poderes das grandes corporações no mundo atual. A exploração da mão-de-obra barata no Terceiro Mundo e a devastação do meio ambiente são alguns dos fatos explorados, que entrevistam presidentes de corporações como a Nike, Shell e IBM, além de Noam Chomsky, Milton Friedman e Michael Moore.

E do curta

"Zoeira Engarrafada" (Rio de Janeiro - 2002 - 8' – Alunos da Oficina Cine8)
Sinopse: Amar sapatos, amar a tara, andar nas ruas.

                                                                                   André Arieta em fotogramas de "Zoeira Engarrafada"  


 QUANDO? Dia 26 de março, sábado, às 15h

• ONDE? Museu da Energia de Jundiaí

Rua Barão de Jundiaí, n° 202 – Centro

• QUANTO? Gratuito

Mais informações com Rodrigo Tangerino (11) 7175-8161 ou Marco Nunes (11) 7240-9440

acompanhem a lesovídeo

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